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A BATALHA POR ATENÇÃO NAS REDES SOCIAIS (PARTE 1/2)

 

Por Rafael Lemos, designer e stylist SENAI PB

Durante os novos tempos de isolamento social ocasionados pela pandemia de coronavirus, a internet se tornou o melhor caminho para continuar projetando nossa voz ao mundo. Cotidianamente já nos deparávamos com uma enxurrada de vídeos, memes, lives, cursos on-line, sites e fotos nas redes sociais, mas agora parece que as coisas tem aumentando de proporção. O evento da quarentena, que segue às regras de isolamento indicadas pela OMS, tem deixado milhares de pessoas impossibilitadas de sair de suas casas para se divertir, estudar, fazer compras, fazer exercícios e até trabalhar da maneira como estavam habituadas. Isso tem provocado um aumento significativo no número de postagens on-line, como se as pessoas usassem as redes sociais para recuperar um pouco da “normalidade” de suas vidas, tentando manter suas rotinas produtivas.

A maioria dos seres humanos vivos nunca experienciou uma situação desse tipo, tampouco vivenciou os efeitos de tal. Devemos estar preparados para as consequências que uma crise como essa poderá causar, a curto e longo prazo. Poderá haver uma completa disruptura nos padrões de consumo e produção, que poderão redesenhar o nosso futuro de diferentes maneiras.

Esse é um momento muito delicado para ofertas, via internet, de uma forma simples como “clique e compre"; não é apenas sobre vender produtos, é também sobre entender as necessidades e se posicionar da maneira adequada, dando apoio ao seu público mesmo que não tenha nenhum produto a oferecer.

Um dos significados de uma boa estratégia é saber quando se deve ficar em silêncio, e embora muitos estejam desesperados para se comunicar, buscando qualquer tipo de informação para se fazer presente, é necessário tomar muito cuidado com a maneira como você se mostra para os seus clientes. Talvez, ser mais um “gritando em cima do telhado” não seja a melhor opção. A questão é que, devemos entender sobre o que as pessoas estão interessadas nesse momento, analisando quais são as suas necessidades reais. Além disso é preciso verificar a maneira como os consumidores estão aptos a escutar, e de que forma eles querem saber sobre você.

Criar um diálogo e oferecer suporte para os seus clientes nesse momento (e depois) pode ser a chave para atrair para as lojas físicas ao final da pandemia, e também poderá garantir que a marca esteja viva na memória deles. Algumas empresas já estão buscando oferecer algum tipo de suporte para seus consumidores, como no caso da marca de moda praia SEA Señhora Swin que criou um guia com dicas para quem quer manter o corpo em dia fazendo exercícios em casa, durante o isolamento. Dentre algumas dicas sobre a importância de estabelecer uma rotina e fazer uma boa alimentação antes dos treinos, a marca indica que se usem os seus biquínis para exercitar-se, e faz isso usando uma linguagem amável e divertida: “É altamente recomendado que você faça seus exercícios de biquíni, para que você possa se manter em forma e se bronzear ao mesmo tempo – definitivamente isso é algo que você não pode fazer no escritório (haha)!”. Portanto, é sobre repensar a maneira como a marca oferece os produtos, sem parecer que está empurrando seu estoque para os clientes.

Que tal promover novas experiências para sua audiência?

Criar filtros do instagram com réplicas de seus produtos para que os clientes possam “testa-los” virtualmente, é um bom exercício. Além de divertido, pode estimular os clientes a usarem sua marca para contar suas histórias pessoais e, ocasionalmente, leva-los a uma possível compra on-line. Algumas marcas brasileiras já estão tomando a dianteira em resolver problemas criados aos negócios por causa do isolamento social, é o caso da marca de óculos All Wood, que apostou nessa ideia e criou filtros para instagram com réplicas de alguns de seus produtos. Esses filtros além servirem como ferramenta de entretenimento, servem como uma “prova digital”, onde é possível ter uma ideia quase que real das proporções do produto, o que pode até facilitar a compra on-line, garantindo maior assertividade na escolha dos consumidores.

Quando chegar o final dessa crise as marcas precisarão entender o fato de que muitos clientes estarão em outro patamar de consumo, provavelmente mais esclarecidos. Porém, para alguns, essas mudanças poderão não acontecer, é possível notar que boa parte das pessoas têm aproveitado  o tempo disponível  para conferir on-line os mais diversos tipos de “reviews” sobre todos os tipos de produtos. Sendo assim, eles estão saboreando a oportunidade de analisar e discutir on-line sobre resultados e performances, e também declarando suas opiniões e desejos. Com isso, é possível que haja um crescimento significativo nas vendas on-line, e os clientes irão usar seus novos conhecimentos sobre marcas e produtos nas suas intenções de compras futuras. Essas atitudes devem levar as empresas a realmente se importarem com algo a mais além de uma simples foto bem produzida no feed; é preciso estabelecer uma comunicação real e verdadeira com seu público, aproveitando a oportunidade até para até para ensinar alguma coisa, repensando a forma como você será lembrado daqui para a frente.

Continua em: A Batalha por Atenção nas Redes Sociais , parte 2/2


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